MEU VELHO PAI ...

MEU VELHO PAI ...

Ele me contou com emoção e com os olhos brilhando que um Senhor com idade pra ser seu pai, caminhava do outro lado da rua, devagar e demonstrando insegurança de tal maneira  visível que lhe chamou a atenção passando portanto a observa-lo melhor.

Meu irmão Flavio era um observador e tinha um coração do tamanho do mundo, quando você estava com um problema e ele ficasse sabendo era o primeiro a se apresentar para de alguma forma encontrar ou buscar um meio de ajuda-lo.

Ele continuou sua narrativa contando, que quando sentiu ainda mais a indecisão e indefinição daquele homem foi se aproximando até que o homem com a voz embargada e fraca, ao vê-lo se aproximar solicitou-lhe dinheiro para um lanche.

O coração dele se abriu ainda mais quando percebeu pelo sotaque daquele homem que ele era de origem Lusitana, pois isso ia de encontro as nossas origens, nossos pais eram Portugueses e de lá vieram após casarem-se numa aventura que só o amor pode explicar.

Perguntas e questionamentos foram colocados por meu irmão e um amigo que também se condoeu da situação, com o objetivo de saberem quem era aquele patrício que aparentemente encontrava-se numa situação de descontrole emocional e mental.

Decidiram leva-lo a mercearia cujo proprietário era o meu irmão, lá minha cunhada preparou lanches e o velho homem se deliciou ganhando mais consciência e lembranças de seu paradeiro e com essas palavras narrou a sua situação:

--- Fui visitar um parente, não me lembro do nome da cidade, peguei um ônibus para voltar e ao chegar aqui me perdi, estou procurando  a minha residência há alguns dias, mas não consigo encontra-la.

As vestimentas, o aspecto físico, a aparência, o cansaço, o desanimo, nos levavam a entender o quanto aquele homem havia rodado a procura de um caminho, ele já estava prostrado e desanimado, mas entre perguntas e respostas uma esperança se apresentava.

Numa de suas respostas sobre o bairro onde morava, a Lapa foi a primeira informação, próximo ao cemitério a segunda e por fim o Ceasa  onde segundo ele, trabalhavam seu filho e um sobrinho.

Essas informações foram suficientes, o mano Flavio e o amigo o colocaram no carro e lá foram eles ao encontro da sorte, porque só com muita sorte poderiam fazê-lo lembrar de onde era sua morada ou onde poderiam estar o filho e o sobrinho diante da imensidão e grandeza do Ceasa.

Com calma, com paciência, com observação e depois de muitas idas e vindas uma esperança:

--- Acho que é por aqui disse o velho e combalido homem diante de um dos galpões.

 

Saíram do carro tentando faze-lo lembrar do lugar, nisso um rapaz de cima de um caminhão reconheceu o tio, gritou lá do alto e desceu correndo ao encontro dele, entre abraços, lagrimas e palavras de agradecimento por reencontra-lo.

O rapaz emocionado levou o tio para dentro do galpão e lá outra emoção ainda maior, pai e filho em lagrimas se abraçavam como crianças pelo reencontro.

Já havíamos perdido a esperança de revê-lo disse o filho e o sobrinho emocionados depois de questionar sobre como e onde ele havia sido encontrado.

Meu irmão e o amigo voltaram para casa orgulhosos pela ação, pela emoção e pelo dever cumprido.

Uma semana depois, um belo carro para em frente à mercearia do meu irmão Flavio, de dentro saem o velho homem já restabelecido e recuperado, acompanhado do filho e do sobrinho.

O filho emocionado da um abraço no meu irmão e diz:

--- Vim para lhe agradecer por ter nos trazido de volta o meu velho pai.

Meu irmão Flavio já não esta entre nós, mas essa historia ficou marcada para sempre, como um exemplo de amor e dedicação ao próximo.

 

Abel N Moura.

Fevereiro 2020


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

APERTE A TECLA ...

TRAGEDIAS ...

LOUCURA, LOUCURA ...